Por Dr. Paulo Guimarães
Quem era a mulher 40+ antes dos anos 60, ou algo que coincide com nossas avós? Quem são as mulheres 40+ dos anos 60 aos anos 80/90, quem são as mulheres 40+ depois dos anos 90 e qual é o futuro que se predestina para as mulheres 40+?
Certamente, nós tivemos avós no passado e presente, mas, no futuro, acredito que talvez muitas mulheres já não serão avós. Até porque, muitas mulheres, hoje, já estão buscando relacionamento sem filhos e provavelmente muitos filhos das atuais mulheres maduras talvez não venham a querer procriar. É bem provável que nós tenhamos, no futuro, mulheres 40+ que nem mais serão avós.
As preocupações das mulheres 40+ do nosso tempo ultrapassam questões meramente voltadas à reposição hormonal e envolvem tecnologias, mudanças de hábitos, alimentação, atividade física, lazer e saúde mental. Além de, claro, relacionamentos, onde as mulheres deixaram de ter postura de passividade para viver a intensidade dos sentimentos com mais equidade.
Nessa celeuma, quem escolhe liberdade assume riscos. Muitas mulheres de agora têm as carreiras como prioridade. Optam por casarem-se mais tarde, ou não casar, congelar óvulos, ou não pensam em filhos e mantêm o foco no trabalho. Certamente há mais solidão, mas em boa parte por seletividade delas e pela possibilidade de ficarem mesmo sem ninguém.
Para tanto, vemos a torto e à direita as mulheres protagonizando a troca de papéis em que as mulheres estão assumindo o pilar da energia masculina para que possam cumprir as demandas que estão sendo exigidas: se tornarem provedoras, líderes, autoras únicas de decisões. Só que isso custa um preço. E esse preço costuma estar na fragilização das relações conjugais. Além disso, se olharmos com calma, perceberemos que boa parte das doenças classificadas como autoimunes ou de causas desconhecidas são doenças que visam quase sempre atuar diretamente, ou de modo paralelo, danificar órgãos que são considerados exclusivamente femininos.
Entretanto, elas têm mais liberdade e poder de decisão e compra. O grupo de mulheres 40+ é hoje um segmento em que é extremamente característico o potencial de consumo de produtos e serviços com o intuito de melhorar a qualidade de suas vidas, seja em estética, medicina plástica e até mesmo investimentos e negócios variados. Interessante notar que essa faixa etária está mais voltada para a medicina preventiva, no intuito de aquilatar a prevenção das doenças e de buscarem bem-estar. O que inclui autoestima.
Nas nossas clínicas de ginecologia, as mulheres 40+ são constantes usuárias de reposição hormonal. Como os hormônios têm por objetivo reduzir os sintomas deletérios do climatério e da menopausa, as pacientes de 40+ já possuem há bastante tempo essa consciência. Chegaram um dia aqui com queixas de ondas de calor, perda da disposição física, de libido, da lubrificação, com desinteresse sexual, baixa qualidade do sono, indisposição para atividades físicas, piora da qualidade da pele e unhas e até mesmo as questões cognitivas, no sentido de evitar a degeneração das questões corticais. Desde então, nunca deixaram de vir.
Contudo, há um público um pouco mais jovem, que busca a reposição com o intuito de melhorar a qualidade da massa magra, melhorando inclusive as respostas nas academias para o desenvolvimento da musculatura e o desempenho. Além de ficarem mais exuberantes no presente, assinam um atestado de melhor fortalecimento ósseo e muscular, garantindo que, uma vez que viveram muito mais, precisarão de mobilidade para manter a autonomia.
As reposições hormonais atuais já existem em diversas apresentações. Contudo, a indústria já notou o potencial desses elementos e tem refinado cada dia mais os elementos que as compõem para que fiquem ainda mais parecidas com as moléculas humanas. A indústria vem desenvolvendo elementos de reposição hormonal cada vez mais bioidênticos ou isomoleculares.
Sabendo que as reposições hormonais reduzem o surgimento de Alzheimer, as mulheres atuais buscam ainda mais a reposição hormonal, visando combater os desconfortos do climatério e da menopausa, e reduzir riscos de demências e doenças de Parkinson. Passou-se então a ter um crescimento das suas aplicações, seja em formas transdérmicas, implantes subcutâneos e até mesmo algumas apresentações sublinguais e, mais recentemente, em spray. Esses hormônios, não só o estrogênio, mas a testosterona e outros, passaram a compor protocolos únicos de qualidade de vida das mulheres 40+. E o melhor: feitos personalizados, a partir de queixas individuais.
Os trabalhos mais recentes mostraram, num acompanhamento de mais de 10 anos, que 2.700 mulheres passaram a ser observadas e o que se detectou é que as mulheres que usaram a testosterona em doses fisiológicas de reposição tiveram uma redução de cânceres de mama de 37% em média, ou seja, passou-se a ter uma nova visão da testosterona como um hormônio mamoprotetor. Evidentemente, as candidatas ao uso do hormônio passam por uma minuciosa investigação e são esclarecidas quanto aos critérios de melhor indicação, visando sempre a maior segurança possível.
Na área da estética íntima, muitas mulheres 40+ procuram melhoras estéticas na área genital, onde têm atrofia, escurecimentos e perdas de colágeno. Muitas das que tiveram partos voltam as atenções para a estética íntima, em cirurgias nos lábios, no clitóris ou procedimentos que visem apertar o canal. As principais cirurgias são as labioplastias, popularmente conhecidas como ninfoplastias, e elas podem ser feitas com variadas técnicas. Para além disso, é possível operar o clitóris, os pequenos lábios, o hímen e qualquer local onde haja desconforto.
A bioestimulação de colágeno é outra prática crescente, utilizando produtos para aumentar e qualificar a textura, densidade e hidratação da pele, tecnologias de energia de lasers como CO2, ErbiumYAG e ultrassons micro e macro focados, que também são aplicados visando aquilatar a qualidade da pele vulvar. Todas estas tecnologias oferecem não apenas um visual mais atrativo, mas melhorias na lubrificação, no estreitamento e no tratamento das perdas urinárias involuntárias e incontinências, comuns nas mulheres após 40+, independentemente de terem tido filhos ou não. Cada vez mais procuradas, todas essas tecnologias são indicadas para mulheres que tiveram câncer de mama e não podem usar hormônios, ajudando a reverter a atrofia genital, aliviando um dos sintomas que acumula muitas queixas. Frequentemente, brinco com minhas pacientes que a cirurgia íntima não garante orgasmos, não traz marido de volta e nem salva casamento, mas ela oferece liberdade e confiança ao aumentar a sua segurança no seu poder de sedução.
Portanto, a mulher 40+ da nossa atualidade, ela tem muito mais o pensamento focado nela mesma do que as mulheres 40+ do passado quando, muitas vezes, essas mulheres praticamente se esqueciam de si mesmas e tinham a vida destinada a cuidar de filhos, zelar da família e toda e qualquer manutenção de sua própria visualização era para agradar ao parceiro.
E por fim, a fase de 40/50+, a mulher traz a si mesma, para suas necessidades, sejam de ordem emocional, afetiva e principalmente é o momento favorito delas de resgatarem sonhos e metas que com a vida, ficaram para depois. É hora de desengavetar e viver. O reconhecer e redescobrir o feminino é fazer as pazes com a sua essência, se reencontrando com seu feminino.
Observando a história percebemos a inteligência da mulher, por sorrateiramente terem saído do papel de um mero objeto inócuo para serem “donas da coisa toda”. Tudo sem armas, adagas e violência. Foram sedutoras, estratégicas, observadoras, ardilosas e conseguiram aos poucos muito do que queriam inclusive com anuência de muitos homens, em certos casos. Em décadas revolucionaram a mentalidade do mundo e a realidade própria. Contudo, se perderam um pouco nesse processo.
Por isso os 40 anos marcam uma etapa tão importante. Onde a ânsia dá lugar à calma, as escolhas passam a refletir prioridades individuais, com foco no autocuidado, na saúde mental e na satisfação pessoal. Sem o impulso da juventude que não segura as energias e quer ganhar no grito.
A mulher do passado era um item de seu cônjuge. Sua formosura só existia para ele e bem-estar era algo desconhecido. A mulher, sobretudo a 40+, não faz nenhum desses procedimentos para parceiros ou para parceiras, faz por si mesmas, para melhorar o relacionamento consigo mesmas para viverem com, sem ou apesar de relacionamentos. Desse modo, a reposição hormonal acaba sendo fundamental para garantir qualidade de vida nesse período e sua falta expõe mais a mulher ao Alzheimer do que o próprio câncer de mama.
Contudo, nos resta refletir como a medicina contribuiu com a jornada de autonomia feminina. Longe de tirar o mérito e a sagacidade delas, o acesso a medicamentos como anticoncepcional, a possibilidade de realizar a cirurgia cesárea com conforto e segurança, todas as pesquisas em hormônios que saíram das éguas prenhas para as versões bioidênticas, que até mesmo o próprio corpo pode se confundir como nata. Fora o acesso ao conhecimento de muitas áreas e a possibilidade nos períodos de guerra das mulheres trabalharem enquanto os homens lutavam.
Minha expectativa é que os homens adotem a postura de acolhimento e saiam da passividade, da apatia conjugal, dos vícios que distanciam as relações e esfriam o sexo. Saibam ouvir e dar afeto: o retorno é imediato. Não há título, prêmio, cargo, que deixe uma mulher mais confiante do que estar nos braços de quem ama e lhe garante segurança. Não se intimidem com as metas da sua parceira. Sonhem juntos. Do contrário, veremos mulheres cada vez mais nos topos, esbanjando sucesso, mas invalidadas em casa. É a saga de muitas superprofissionais sobrecarregadas, em depressão, burnout, aprisionadas em crises de ansiedade, sem poder pagar, com todo dinheiro que ganham, por uma solução, mesmo rodeadas de comprimidos e pílulas que só escancaram mais os problemas. É de se pensar… como começar a mudança?
Considerações finais
O grupo de mulheres 40+ é hoje um segmento com grande potencial de consumo de produtos e serviços para melhorar a qualidade de vida. São consumidoras de estética, medicina preventiva e investimentos. Estão mais focadas em si mesmas, priorizando saúde emocional e física.
A trajetória da mulher, desde a submissão até a liderança, é marcada por conquistas extraordinárias, mas também por novos desafios. A busca por equilíbrio entre autonomia e afetividade continua sendo o grande dilema da mulher contemporânea, que, embora tenha conquistado sua voz, ainda enfrenta o eco silencioso das expectativas sociais.
O que sabemos é que o mundo precisa da energia masculina e da energia feminina e ambas parecem embaralhadas nos indivíduos natos. Tal como as mudanças colossais feitas pela mulher, é necessário pensar em como alinhar ambos os papéis. Primeiro individualmente. Depois com o outro. A ideia é que não seja eu contra você, mas eu junto com você.
Atividade prática: mulher 40+, primeiro você e depois o mundo
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Priorize-se: A fase 40+ é o momento de colocar suas necessidades em primeiro plano, as emocionais, físicas e afetivas. Desengavete planos, reveja sua rotina e comece a pensar em suas atividades físicas e terapia se puder.
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Procure um bom ginecologista que cuide da parte clínica e preventiva, oriente sobre a reposição hormonal e que também possa lhe assistir nas questões de estética íntima, para que você tenha bem-estar e autoestima, junto da saúde.
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Faça uma reflexão sobre a história da sua família. Dos homens e mulheres. Recapitule a sua jornada. Reflita sobre o quanto da energia masculina em excesso tirou de você a essência feminina que você tinha na alma. Reflita sobre como redescobrir seu feminino e fazer as pazes com o masculino?
Sobre o Autor: Dr. Paulo Guimarães é médico ginecologista (CRMDF 18663 / RQE 10277 / RQE 13338 / TEGO 582/95) e atua no Instituto Paulo Guimarães em Brasília/DF. Formado há 45 anos pela UFMG, é especialista em Estética Íntima e ministra cursos médicos presenciais. Possui visão integrativa e regenerativa da ginecologia.
